Câncer de Próstata

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Por Ricardo Caponero

Quando falamos de prevenção do câncer, em geral, temos duas situações distintas, mas que muitas vezes são confundidas pela maioria das pessoas. Falamos em prevenção primária para as medidas que visam impedir que a doença ocorra, ou seja, reduzir a incidência (número de casos novos) da doença. Chamamos de prevenção secundária à medida que têm por objetivo o diagnóstico precoce da doença, em fases onde as chances de cura são maiores. A prevenção secundária não é uma “prevenção” propriamente dita, já que não reduz a incidência da doença. Por isso, quando as pessoas fazem exames de “prevenção”, não estão evitando o acontecimento da doença, mas apenas permitindo o seu diagnóstico em fases mais curáveis.
Algumas medidas, mais específicas em alguns casos de câncer e mais gerais para todos eles, podem ser tomadas para reduzir, de fato, as chances de vir a apresentar a doença, ou seja, diminuir o risco de fato, reduzindo a incidência.

No presente momento não conhece a causa exata do câncer da próstata e, dessa forma, ainda não é possível impedir que a maioria dos casos da doença ocorra. Alguns fatores de risco conhecidos, como a idade, raça e história familiar não podem ser controlados.
A informação disponível atualmente sobre alguns outros fatores de risco para o câncer de próstata, entretanto, sugere que alguns casos podem ser prevenidos com algumas medidas gerais visando à melhora da saúde em geral, como evitar o tabagismo e o uso excessivo de bebidas alcoólicas, manter controle do peso e praticar exercícios físicos regularmente.
Uma dieta saudável deve conter uma quantidade importante de frutas e vegetais frescos e uma quantidade limitada de carne vermelha, especialmente as com alto teor de gordura ou as carnes processadas e embutidas (salame, presunto, mortadela, etc.).

Pães, cereais e massas em geral podem ser consumidos em quantidades compatíveis com a ingestão calórica diária recomendada para cada porte corporal e nível de atividade física.

O tomate (cru, cozido, ou em produtos como molhos e ketchup), grapefruit e melancia são ricos em licopeno. Essa substância parecida com as vitaminas atua como um antioxidante que evita os danos que naturalmente ocorrem ao ácido desoxirribonucléico (DNA) e podem, de maneira não comprovada e quantificada, reduzir o risco para o câncer de próstata.
Tomar vitaminas ou suplementos minerais tem um papel muito controverso. Embora alguns estudos mostrem efeitos benéficos das vitaminas A e E, e do mineral selênio, ainda não há confirmação a esse respeito. Um grande estudo clínico – Selenium and Vitamin E Câncer Prevention Trial (SELECT) Foi iniciado em 2001 e pretende incluir mais de 32.000 homens, respondendo definitivamente essa questão, mas seu resultado só será conhecido na próxima década.

Um medicamento chamado finasterida também foi testado na prevenção do Câncer de próstata num grande estudo clínico -Prostate Câncer Prevention Trial (PCPT) – envolvendo mais de 18.000 homens. Esse estudo, já concluído, mostrou que a finasterida pode reduzir em 25% o risco em desenvolver um câncer de próstata. Infelizmente o mesmo estudo constatou que nos pacientes em que a finasterida não evitou o surgimento do câncer, esse se manifestou com crescimento mais rápido e maior capacidade de disseminação pelo organismo. Além disso, os homens que tomaram a finasterida apresentaram uma maior taxa de distúrbios sexuais como perda de libido e impotência. Por esses motivos não podemos recomendar o uso da finasterida rotinei-ramente.

Diagnóstico Precoce do Câncer de Próstata

Se a prevenção do câncer de próstata não é tão eficaz, o oposto ocorre com o diagnóstico precoce. O exame digital da próstata (toque retal) e a dosagem no sangue do Antígeno Prostático Específico (do inglês – PSA), associados à ultra-sonografia transretal em casos selecionados, podem propiciar o diagnóstico precoce na grande maioria dos homens.
A recomendação atual é para que os homens, após os 50 anos de idade, submetam-se ao toque retal e ao PSA anualmente, e pelo período em que a expectativa de vida for superior a 10 anos.

Os homens sob risco aumentado, como os de raça negra e os que têm um parente de primeiro grau (pai, irmão ou filho) diagnosticado com câncer de próstata antes dos 65 anos, devem iniciar os exames aos 45 anos.
Em casos onde o risco é ainda mais elevado, por causa de vários parentes de primeiro grau com câncer de próstata antes dos 65 anos, os testes devem ser realizados ainda mais cedo, aos 40 anos de idade. Nesses casos, dependendo dos resultados, pode não ser necessário repetir os exames antes dos 45 anos.

O Exame do PS A (Prostate-Specific Antigen)

O antígeno prostático específico (PSA) é uma substância produzida pela próstata normal. Embora o PSA seja mais freqüentemente encontrado no sêmen, uma pequena quantidade também é encontrada no sangue. A maioria dos homens apresenta níveis de PSA abaixo de 4 nano gramas por mililitro (ng/mL) de sangue.

Quando o câncer de próstata se desenvolve o PSA geralmente aumenta para mais de 4ng/mL, mas é importante lembrar que 15% dos homens apresentam câncer de próstata com PSA normal. A chance de apresentar um câncer de próstata é de 25 para os níveis de PSA entre 4 e lOng/mL, e acima de 50% para valores de PSA acima de lOng/mL. Muitos outros fatores podem afetar o resultado do PSA (inflamação da próstata, aumento benigno da próstata, infecção urinária, o próprio exame retal, etc.), assim sendo, todos os casos suspeitos da presença de uma neoplasia devem ser confirmados pelo exame clínico e biópsia.

Conclusão

Hábitos de vida mais saudáveis podem reduzir o risco de desenvolver um câncer em geral, inclusive na próstata.
Não há nenhuma medida dietética ou medicamentosa específica que possa comprovadamente reduzir a incidência do câncer da próstata.
O exame digital e a dosagem do PSA não evitam o câncer da próstata, mas propiciam o diagnóstico da doença em fases mais precoces, onde há elevadas taxas de cura.